Eu voltei para a ilha mágica conhecida como PaleyFest no domingo, dessa vez para celebrar Lost que estreou na ABC dez anos atrás, em Setembro. É difícil acreditar que quase uma década já se passou desde que o voo Oceanic 815 caiu e apresentou-nos ao peitoral esculpido de Josh Holloway, mas é verdade. Nove anos e meio se passaram desde que Charlie (Dominic Monaghan’s) fez a famosa pergunta: “Pessoal, onde nós estamos?”

No decorrer das 6 temporadas e dos 121 episódios, fãs alimentavam o vício crescente em Lost tentando desvendar os maiores mistérios da série, incluindo “ Qual o sentido da vida e o que acontece quando você morre?” que o produtor executivo, Damon Lindelof, disse durante o reencontro no PaleyFest, ter sido uma das maiores questões de Lost. Por 6 temporadas, os fãs dissecaram os episódios cena por cena, na tentativa de revelar os enigmas que eles acreditam estarem escondidos.

O comediante e moderador do painel, Paul Scheer, creditou a série pelo nascimento do “assistir compulsivamente”, pelo modo como ela atraia a atenção dos telespectadores, muitas vezes, por horas a fio. Eu não posso dizer se isso é realmente verdade porque eu assisto TV compulsivamente desde que eu sai do útero (naquela época era necessário muitas fitas VHS), mas eu sei que quando Lost estreou quase não se ouvia falar em DVR (gravadores de vídeo), o Twitter não existia, George W. Bush ainda era presidente e o ator que interpretou Walt era um garoto.  Agora, estamos em 2014 e Malcom David Kelley é um homem adulto e Lost possui um legado diferente de qualquer outra série que veio antes ou depois.

Com um elenco tão grande, nem todos puderam comparecer ao painel do PaleyFest, mas aqueles que estavam presentes fizeram valer a pena.  Juntamente com Scheer, no placo estavam os produtores executivos Damon Lindelof e Carlton Cuse, assim como os atores Josh Holloway, Jorge Garcia, Yunjin Kim, Ian Somerhalder, Maggie Grace, Henry Ian Cusick e Malcolm David Kelley. Uma membro da plateia veio vestido como Matthew Fox, com uma máscara de papelão, o que só mostra que os fãs de Lost estão entre os melhores, mesmo que eles, em alguns momentos, sejam um pouco intensos.

A celebração realmente pareceu ser um reencontro enquanto o elenco conversava sobre as melhores recordações, as coisas que eles roubaram dos cenários, como alguns personagens ganharam vida  e muito mais.  A tarde começou com uma apresentação de “Êxodos: Parte 1”. Lindelof brincou dizendo que eles iriam discutir o “verdadeiro” final. “O que? Muito cedo?”

Sobre levar lembranças dos cenários:

Vários atores admitiram, um pouco relutantes, por haver executivos da ABC presentes, que eles levaram lembranças dos cenários. Lindelof brincou: “Talvez a tampa da escotilha caiu do caminhão, então eu pensei tipo, Oh! Isso caiu do caminhão, acho que eu vou guardar e transformá-lo em uma mesa de centro!” Cuse admitiu ter o relógio de contagem regressiva da escotilha mas brincou que era apenas um pacote então ele não pegou. Jorge Garcia tem algumas pinturas parecidas com aquelas encontradas no hospício, enquanto Yunjin Kim, Maggie Grace e Josh Holloway roubaram roupas. Ian Somerhalder, cujo personagem Boone foi uma das primeiras vítimas da série, disse que ele levou apenas  “sua dignidade”.

Sobre as histórias não resolvidas e perguntas sem respostas:

Não é nenhum segredo que o legado de Lost também inclui alguns fãs irritados que ficaram insatisfeitos quando o final da série não amarrou todas as pontas soltas. Quando fãs o questionaram a respeito de algumas cenas específicas e por que não houve uma resolução para essas histórias, Cuse disse que: “Toda pergunta gera outra pergunta”, e que “não houve uma forma de responder todas as questões sem parecer muito didático e entediante”.  Lindelof também entrou na conversa e disse que em alguns casos, as cenas foram escritas e ainda existem (e um dia podem ser leiloadas para a caridade) mas, no fim, os escritores decidiram que  seria melhor deixá-las sem respostas.

Sobre as melhores recordações:

“Eu fiz com a minha irmã uma vez” brincou Somerhalder antes de relembrar uma que Maggie Grace e o resto da equipe fizeram com ele: Quando foi beijá-la, ele descobriu da pior forma que ela estava com a boca cheia de alho picado. “Um dos momentos de maior orgulho da minha carreira” riu Grace. Holloway achou difícil escolher apenas uma lembrança. “Foi uma experiência mágica e incrível do começo ao fim”  ele disse. “Eu sinto como se tivesse sido atropelado por um caminhão”

TV a cabo versus TV aberta 

Ambus Cuse e Lindelof pularam para a TV  a cabo desde que Lost terminou e, quando questionados se eles achavam que temporadas mais curtas teria sido melhor para a série, Lindelof disse que ele era grato pela série estar na TV aberta e não na TV a cabo. “Fazer qualquer coisa diferente do que nós fizemos teria resultado em uma série totalmente diferente”. ele disse. No entanto, ele admitiu que teria sido bom não ter que limitar Sawyer a dizer “filho da puta” porque, às vezes, “puta merda” teria sido uma resposta melhor e mais apropriada.

Sobre a morte de personagens e sigilo nos sets

Lost foi uma série famosa por seu sigilo, e os atores quase nunca sabiam algo a respeito de seus próprios personagens com muita antecedência. “Eles sabiam apenas o que os personagens sabiam”  disse Cuse, é por esse motivo que a preocupação de ser assassinado emergia constantemente nos sets. Após a morte de Boone, ficou óbvio que nenhum personagem estava seguro. Daniel Dae Kim realmente ligou para os escritores durante a terceira temporada para dizer que ele estava pensando em comprar uma casa e queria saber se era uma boa ideia. Somerhalder, por outro lado, não teve ressentimentos por ter sido morto, e agradeceu Lindelof: “Você me deu a morte, mas também me deu a vida”.

Sobre a criação de papeis para os atores que eles gostavam:

Quando Kim fez os testes, ela, na verdade, leu o papel da Kate porque a Sun não existia. Garcia fez o teste para interpretar Sawyer, porque Hurley ainda não era uma personagem. Cuse e Lindelof, por fim, criaram Sun e Hurley e os adaptaram para os atores que eles gostaram, percebendo que ele tinha gostado de Garcia em Curb Your Enthusiasm e disse: “Nós precisamos desse cara em Lost!”. Pedaços de cada ator encontraram seus caminhos até cada personagem. Lindelof lembrou como cadeira de rodas de Locke tornou-se um ponto da trama, citando como Terry O’Quinn andava pela praia e sentava-se sozinho ouvindo seu iPod. J.J. Abrams viu isso e disse: “Esse cara tem um segredo.” Então, cabia a Lindelof descobrir qual era esse segredo.

Sobre o final da série:

Cuse confirmou que todos não estavam, de fato, mortos o tempo todo. Ufa! pelo menos essa nós conseguimos resolver, agora podemos voltar a discutir questões importantes, como o quanto nós sentimos falta do Twitter do Damon Lindelof e de seus tweets no Fancy Feast.

Fonte

Tradução: Cecília Serrano. Não reproduza sem os créditos. Equipe ISF.

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